IGNORA A BAGUNÇA, NÃO TIVE TEMPO DE ARRUMAR A CASA ANTES DE VOCÊ CHEGAR (PARTE 1)
Pedro Milano
Técnica
Pintura
Materiais
tinta acrílica, guache e nanquim sobre tela. Detalhes em tecido Oxford
Dimensões
4 telas de 50x140 cm
Ano
2023
Tiragem
sem
Texto descritivo
A obra “IGNORA A BAGUNÇA, NÃO TIVE TEMPO DE ARRUMAR A CASA ANTES DE VOCÊ CHEGAR (PARTE 1)” é composto por oito telas, todas do mesmo tamanho (50X70), posicionadas de forma a compor um ambiente fechado, formando um quadrado. As telas, fora do chassi, estariam separadas de duas em duas, ou seja, cada parede do ambiente a ser representada na obra seria composta por duas telas costuradas (vide o projeto abaixo). Além disso, as telas serão pintadas com diversos materiais, como tinta acrílica, nanquim, tinta guache, entre outros. Para observar as pinturas, o espectador teria de adentrar esse novo ambiente, agora existente graças ao posicionamento das telas no espaço expositivo (as telas estarão penduradas por fios de nylon e presas ao teto, de forma a "flutuar” no espaço).
Texto conceitual
Essa obra surge através da minha pesquisa sobre memória e infância, a partir das formas e cores que venho trabalhando através dos anos. Fazendo uso de figuras de um imaginário lúdico e infantil, recrio ambientes que habitei ou ainda habito, tentando entendê-los e recriá-los, acompanhados de um vazio que nunca se preenche, a falta de alguém que já não vive mais ali. Ironicamente, as pinturas normalmente surgem através do uso de cores muito vivas, frases, palavras e figuras que passam a preencher esses ambientes de forma caótica e desordenada.
Em “IGNORA A BAGUNÇA, NÃO TIVE TEMPO DE ARRUMAR A CASA ANTES DE VOCÊ CHEGAR (PARTE 1)”, retiro a pintura da parede e à transformo em ambiente, trazendo pro mundo fragmentos das casas nas quais vivi e que ali deixei algum pedaço de mim. Penso isso quando levo em consideração os escritos do artista Claes Oldenburg, “Sou a favor de uma arte…”, onde o artista cita diversas formas de arte que, para ele, fariam sentido existirem no mundo. Assim como Claes, sou a favor de uma arte que evolua sem saber que é arte, que brinque com os objetos e lugares cotidianos envoltos de uma imaginação oculta, pessoal. Uma arte crua, que apresenta as pequenas interferências triviais do dia a dia, ao mesmo tempo que assimila pensamentos e informações, fantasiadas e imaginadas, através da vivência de quem percorre essa passagem dos dias. Assim, apresento em minha obra essa troca com este determinado espaço físico (as casas em questão), registrando tudo aquilo que consegui assimilar, seja real ou irreal, existente nesses lugares.