Entrelinhas do acúmulo

Lucas Sakai

Técnica
Gravura em campo ampliado

Materiais
Xilogravura e Frottage em papel arroz

Dimensões
70x280 cm

Ano
2022

Tiragem
01/01

Texto descritivo
É pela possibilidade de aproveitar tanto os elementos gráficos, a capacidade multiplicativa e originalidade da matriz presentes na gravura, como também o efêmero, o gesto e o traçado presentes no desenho, que se cria um espaço de experimentações e hibridismo. o trabalho em sua essência gira em torno de uma capacidade experimental que nasce da presença e interação de ambas as técnicas ao longo do suporte. Com o uso de diferentes tonalidades, intensidades, sobreposições e perspectivas, criou-se um inventário de composições, um grande repertório para a produção da obra final. As entrelinhas são sobre vivenciar, experimentar, explorar, expandir, extrapolar e acima de tudo assumir a imperfeição, por conta de imprevistos, que impõem procedimentos técnicos e expressivos. Por acúmulo se entende o amontoar, conjugar e permear, enfim acumular-se de todas as camadas e experiências do trabalho. São vislumbres revelados quando se entra em contato da xilogravura e participando de todas as etapas de sua produção: o talho da madeira, retirando a matéria; o estender da tinta, para colocá-la na matriz; o imprimir com colher de bambu no papel oriental e enfim adicionar matéria ao suporte.

Texto conceitual
A urbe, mais especificamente a capital paulista sobre a vista de uma janela, sua arquitetura, prédios, casas, estes de cunho comercial ou de moradia são dispostas neste suporte se sobrepondo e se atropelando, carregam consigo a história, o sentimento e cada pormenor de vidas agitadas, dispersas, condensadas em diversas pequenas áreas de convívio; este conjunto que traz o pertencimento e retoma a memória de quem a habita, também demonstra uma cultura híbrida intrínseca ao Brasil, abundante na cidade e que se manifesta no dia-a-dia através das construções, ruas e transeuntes
Entrelinhas do acúmulo é a construção de caminhos, é através de experimentos gráficos, trabalhados sobre oito matrizes xilográficas, que se propõe o surgimento do ambiente urbano no papel. Cada matriz apresenta uma visão da cidade e se diferenciam entre si: aproximando ou afastando o espectador aos detalhes, distorcendo as perspectivas, delimitando as construções por linhas ou por formas geométricas sólidas. Portanto, cada uma delas são autônomas, porém se mantêm em um diálogo constante, dado que tem em sua fatura, traços e procedimentos em comum. Essas diversas vistas, apesar de retratar momentos diferentes, existem no suporte simultaneamente e são multiplicadas em diversas camadas. Sem narração, apenas imagens justapostas na transgressão das formas geométricas dispostas na matriz. . As flutuações da memória e aquilo que se vê fisicamente no caminhar do cotidiano, são discutidos aqui através do processo criativo, a materialidades e suas características.

← Voltar para Mostra BA 2023.2