Olho para trás, portanto sigo em frente

Enzo Sica

Técnica
Pintura e Escultura

Materiais
Guache sobre papel e cerâmica fria

Dimensões
65x50cm

Ano
2023

Tiragem
.

Texto descritivo
A obra consiste em duas pinturas de 25x25cm, feitas em guache sobre papel e dispostas em uma mesma moldura, com 65x35cm. Sob as pinturas, uma escultura feita em cerâmica fria de é sustentada por uma pequena prateleira de madeira, no total medindo 20x7cm, com espaçamento de 3cm da moldura. O espaço total ocupado pela obra é de 65x50cm
A primeira pintura, de cores mais frias, apresenta três cenários que se interligam: um desenho de criança preso em um varal, as mudanças pelas quais uma planta atravessa em seu crescimento e uma festa de aniversário sem convidados, durante a qual uma chuva fina cai.
Na segunda pintura, de cores mais quentes, também são apresentados três cenários: estrelas que caminham em uma direção definida, uma planta, protegida pelo mesmo elemento citado anteriormente e uma mesa de restaurante para duas pessoas, na qual apenas uma cadeira é ocupada pelo autor da obra que parece desenhar aquilo que observa.
A escultura encontrada abaixo do quadro une elementos e cores de ambas as pinturas, fazendo alusão à complementaridade e conexão entre os dois estados mentais que representam.

Texto conceitual
A obra “Olho para trás, portanto sigo em frente”, tem como tema central a alternância entre dois estados mentais que se complementam para que se possa crescer e conectar-se com a vida, no decorrer do tempo.
A primeira pintura, à esquerda, apresenta por meio de três cenários, um momento de introspecção: um olhar reflexivo para si e para aquilo que já vivemos. Nesse primeiro estado mental, nos atentamos à quem já fomos no passado e quem desejamos ser no futuro. O desenho de criança preso ao varal, a planta que se transmuta lentamente e a chuva que cai e marca a passagem do tempo em uma festa de aniversário são metáforas para esse momento.
Ao nos resguardarmos, entendemos como crescer pode ser uma experiência dolorosa e solitária, nos transformamos sem nos darmos conta disso e, às vezes, nos perdemos no meio do caminho. Nesse contexto, recalcular nossas rotas e reavaliar nossos desejos se faz essencial para que possamos prosseguir.


Na segunda pintura, é retratado um estado de confiança, desejo de descobrimento e conexão com as experiências diárias. Nele, somos capazes de nos relacionar novamente com a realidade exterior e trilhar um caminho por meio de passos melhor definidos, o que se faz possível apenas após atravessarmos o momento anterior.
Apesar de ainda muitas vezes só, o indivíduo aqui se apropria muito mais da solitude que da solidão e estabelece vínculos mais fortes com aquilo que vive. Em uma das cenas, por exemplo, apesar de sozinho em uma mesa para dois, o autor desenha aquilo que vê em um caderno. Aqui, o desenho aparece novamente, não como uma memória do passado, mas como um exercício de entendimento do presente e dos acontecimentos cotidianos.
A estrela, presente em duas cenas, é uma metáfora para uma forma de proteção e esperança onipresentes. Algo que existe dentro de nós e nos permite crescer e seguir em frente.

Em conclusão, a escultura disposta abaixo das pinturas tem como propósito ressaltar a dinâmica de alternância entre esses dois estados de vida. Entendo que para que se possa seguir em frente, é necessário olhar para trás e que ambos os estados são efêmeros, se alternando no decorrer do tempo e dando movimento a experiência de estar vivo.

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