Arcanos Familiares I
Paulo Ciochetti
Técnica
Pintura a óleo
Materiais
tinta a óleo e impasto de cera de abelha
Dimensões
uma tela de 20x20 cm e duas telas de 15x10 cm
Ano
2024
Tiragem
não há
Texto descritivo
A obra conta com 03 telas pintadas a óleo em pequenos formatos, a saber: uma tela de 20x20 cm (imagem 2), e duas telas de 15x10 cm (Imagens 3 e 4). Para a apresentação da obra, propõe-se uma montagem "em dominó", ou seja, com as telas ligadas pelos limites, sem separação entre as mesmas. Com isso, espera-se que se potencialize a relação direta entre as cenas representadas por meio da aproximação visual (conforme imagem 1).
Texto conceitual
As pinturas fazem parte de uma série de trabalhos nos quais investigo a herança simbólica das imagens presentes nos arquétipos familiares. A partir de diversas linguagens, dentre as quais a pintura, a calcogravura e a xilogravura, os trabalhos têm como referência registros fotográficos que trazem a questão da memória e de como as narrativas visuais constroem e modificam nossa percepção.
Partindo desse conceito, busquei em álbum de família por fotografias que apresentassem padrões ou clichês que direcionam a vivência e o comportamento humano. É o caso de rituais e momentos performáticos como casamentos, aniversários, natais, reuniões familiares e outros eventos que, em algum nível, ressaltam valores e símbolos familiares - padrões de gênero, hierarquias sociais e outras questões enraizadas nas narrativas pessoais.
Assim, a partir destes paradigmas, obtenho uma espécie de Tarot Familiar composto de arquétipos que podem ser encontrados nas narrativas da memória e que são mediados pela linguagem fotográfica. Por isso, a pesquisa tem foco na significação das imagens e dos padrões sociais que nelas são recorrentes, também explorando sua materialidade fotográfica e re-contextualizando suas características visuais para outros suportes.
Nesse contexto, as pinturas causam no público o estranhamento de se ver um "álbum da família de outras pessoas". Isso porque as cenas representadas, em muitos níveis, são cenas que veríamos em álbuns de qualquer família, mas com outros rostos. Então, cabe ao público "substituir" os rostos borrados e desfigurados das pinturas pelas faces de sua própria família, repensando essa confusão entre memória privada e coletiva. As cenas pairam, então, entre a homenagem da raiz familiar e uma manifestação das fragilidades dessa mesma estrutura. Representa paralelamente um tributo à memória coletiva e um escancaramento das inseguranças pessoais surgidas dessas mesmas relações.