Corpo Entre

Paula Fernanda Monte Santo

Técnica
Fotografia Digital

Materiais
Impressão Fotográfica sobre papel Bamboo Fine art.

Dimensões
45 x 60 cm

Ano
2024

Tiragem
1/1

Texto descritivo
enviado em PDF

Texto conceitual
O Corpo Entre

Entre o que se vê e o que escapa, forma-se uma imagem. “O Corpo Entre” é paisagem e corpo, mas não exatamente um nem outro — é o vestígio de uma travessia. Suspensa entre a lama e a memória, entre o toque da luz e a umidade do mangue, a obra evoca a presença do corpo não como figura, mas como pulsação e estado de devir.

A obra, construída por meio da técnica de sobreposição fotográfica, habita um espaço-tempo em que o corpo não se delimita, mas reverbera. Como rizoma (Deleuze e Guattari, 1980), prolifera pelas bordas, nas sinuosidades, nas camadas de matéria e ausência desta. A fatura acontece entre gestos, no intervalo onde a paisagem se mistura à pele, e a natureza torna-se extensão daquilo que se sente, mas não se nomeia.

Em diálogo com obras do acervo do MuBA como: Figura Feminina e Estágio III/II, a obra propõe uma contraposição ao corpo delineado e em repouso, incitando movimento e à construção de novas formas corpóreas. O corpo, antes repousado, aqui dissolve-se no tempo aberto do entre; na pulsão que habita o processo criador. Entre a terra e o mar, entre o fim e o começo, entre o que já se foi e o por vir.

É corpo desejo, corpo rio, corpo matéria em constante modificação, onde a imagem não busca representar, mas habitar — assumir a incompletude como potência. Ser entre é assumir a oscilação, a instabilidade, a dança com aquilo que pulsa e escapa. A imagem se dá como promessa: nunca plena, mas sempre fértil.

Este trabalho é parte de uma pesquisa sobre o corpo sensível da mulher amazônida, sua relação com os ecossistemas e o estado desejante. É arqueologia do toque e do tempo. Um convite à experiência do que é presença em movimento. Um corpo que, ao invés de fixar-se, adentra — entre o tempo e o lugar.

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