Por um triz é o Futuro
Paula Fernanda Monte Santo
Técnica
Fotografia Contemporânea
Materiais
Pigmento Mineral sobre papel fine art 100% algodão
Dimensões
90 x 130 cm de largura
Ano
2025
Tiragem
1/6
Texto descritivo
enviado em PDF
Texto conceitual
A obra Por um triz é o futuro propõe uma reflexão visual sobre o tempo como percepção e presença, seja no momento do agora ou enquanto memória. Trata-se de uma fotografia que capta a tênue fronteira entre o passado e o por vir: o instante que passa a existir após o registro, mas que poderia nunca ter existido senão no olhar de quem o fez. Nesse caso, o tempo deixa de ser cronológico e assume seu caráter sensível, que passa por dentro de nós, se dilata ou contrai conforme nossas emoções, assim como emerge da suspensão de um instante, da intensidade de um olhar fixado, ou mesmo na relação entre presença e ausência.
A imagem articula, e nisso reside a sua contemporaneidade, o contraste entre o tempo aparentemente fixo, o tempo linear, da história, representado tanto pelo relógio monumental quanto pela linguagem fotográfica como proposta, e aquele que escapa ao registro, em constante mutação e liquidez, aqui metaforizado pelo borrão de um ônibus em movimento mas que, ainda assim, enquadra a memória. O que resta desse movimento é apenas ruído visual, ausência que se imprime como marca.
Segundo Flusser, a fotografia é sempre uma operação sobre uma caixa preta, também metáfora do inconsciente — gesto técnico que, mais que registrar, inscreve sentido e consequentemente cria narrativas. O disparo da câmera é uma decisão, uma marca que o olhar deixa no mundo. Em Por um triz é o futuro, essa marca se transforma em metáfora do agora: instante que não pode ser tocado, mas que se tornou imagem, assim como na pintura “O Beijo” de João Calixto, a qual também propõe um diálogo entre a escultura como marca desse tempo passado e o contraste de seu entorno. Em Barthes, o relógio seria o studium, aquilo o que se compreende culturalmente. O borrão, o punctum, o que fere, o que nos atravessa e que possivelmente nunca mais se repetirá. A imagem, nesse sentido, não é uma prova, mas sim a consequência do que foi vivido enquanto experiência e portanto, pode trazer em si questionamentos acerca do conceito de tempo, história e memória.