Entre o Céu e o Inferno, Grajaú me localizo
Lelcticia
Técnica
Fotografia e artesanato.
Materiais
Varetas de bambu, papel seda 50g, cola branca, linha tipo 10, fitas plasticas recicladas.
Dimensões
Estrutura das fotos/pipa: 45cm de altura, 43cm de largura. Estrutura da rabiola: 2m de largura.
Ano
2025
Tiragem
Não tem.
Texto descritivo
enviado em PDF
Texto conceitual
As obras fotográficas da exposição “Entre o céu e o inferno, Grajaú me
localizo" trazem a visibilidade para o bairro Grajaú localizado na zona sul de São
Paulo, uma região periférica e muitas das vezes invisibilizadas e que abriga uma
grande massa de cultura e vivências. Esta exposição acolhe, com ternura e
resistência, o sentimento de pertencimento a um território muitas vezes lido como
perigoso, mas que abriga afetos, memórias e potências invisíveis.
As fotografias, impressas em estruturas de pipa que parecem ter caído do
céu, evocam a infância nas quebradas, o vento das lajes e a leveza que resiste
entre muros e fiações. É uma homenagem à cultura viva das periferias, onde o
ato de soltar pipa é também um gesto de liberdade.
Se sentir pertencente a uma região, se sentir bem em um espaço que ali
viveu e cresceu é o que essa exposição quer trazer para o público que observa
as obras. A crítica que atravessa a série reflete sobre o pertencimento: mesmo
diante das ausências e precariedades impostas, há orgulho, resistência e amor
pelo território. O corpo que vive a favela é o mesmo que a defende, que a
transforma em lar, e que se recusa a ser narrado por olhares de fora.
Entre o céu e o inferno, encontro o Grajaú, onde o vento corta, o sol
queima, e o povo floresce. Minhas pipas não voam apenas no ar, mas nas
memórias de quem aprendeu a ser livre olhando pro alto.