Morrro em Iparana

Maria Magnólia

Técnica
Desenho, pintura e colagem

Materiais
Óleo sobre MDF

Dimensões
l: 46cm / c: 40cm / a: 1.5cm

Ano
2025

Tiragem
-

Texto descritivo
enviado em PDF

Texto conceitual
A obra nasce dos versos "O ouro afunda no mar / Madeira fica por cima / Ostra nasce do lodo / Gerando pérolas finas" (1997. O Ouro e a Madeira - Os Originais do Samba), e de minhas memórias na praia de Iparana, em Caucaia - CE, onde minha madrinha viveu e morreu. A partir do luto, o ideário daquele espaço se transporta para o inconsciente: o barranco, o morro, o mar e a morte. A tinta espessa sufoca a madeira em uma película - a memória ocupa a matéria -, trata-se de uma abstração das minhas lembranças em cores e gestos, aliada ao cenário da praia, cujo imaginário remete às canções de pescadores que originaram a pintura e me devolvem o cheiro de sal da casa de minha madrinha, e o corpo em preto e branco - representação própria - destacado do cenário onírico, flutuante e pertencente. Apesar de ter me mudado, eu nunca sai daquela praia. Não sei se moro ou se morro em Caucaia. Ainda me sinto comendo das mãos do Ceará.
A forma expositiva exige do espectador olhar para o chão, abaixar-se para ter acesso ao trabalho expressionista, o mesmo esforço que se faz para de cima do barranco ver o mar; para andar sobre as tábuas que os pescadores repousam na areia e para baixar a cabeça frente o luto.

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