Urubu Malandro
Aline Mashiro
Técnica
Xilogravura
Materiais
tinta gráfica preta sobre papel de gramatura média
Dimensões
29,7 cm× 42 cm
Ano
2025
Tiragem
única
Texto descritivo
enviado em PDF
Texto conceitual
Na xilogravura Urubu Malandro, a figura do pássaro deixa de ser apenas ave de hábitos urbanos para se tornar entidade simbólica — um malandro sagrado que transita entre mundos. Inspirado na canção No Meio do Pitiú, de Dona Onete, o urubu é retratado como personagem do imaginário paraense, figura astuta que observa do alto as tramas humanas, conhecendo os cheiros, os restos e as belezas que compõem o cotidiano do Ver-o-Peso.
Através do corte da madeira e da densidade do preto sobre o amarelo, a obra propõe um olhar poético sobre aquilo que é frequentemente marginalizado. O urubu, com sua coroa luminosa, que é o sol, ganha dignidade e presença — ele é o rei da sobrevivência, o observador do caos, o que transforma o rejeito em permanência.
Mais do que representação, Urubu Malandro é uma metáfora visual da malandragem amazônica: a sabedoria de viver com leveza, humor e astúcia, mesmo diante das durezas da vida. O traço e o contraste da xilogravura evocam o ritmo do carimbó, o cheiro do pitiú e o som das feiras, em uma celebração da identidade nortista que transforma o ordinário em encantaria.