A Impossibilidade do Mar na Mente de Alguém Mudo

Fernanda Banzatto

Técnica
Instalação audiovisual interativa

Materiais
Monotipias digitalizadas, sistema computacional, software TouchDesigner, microfone e monitor.

Dimensões
Variável

Ano
2026

Tiragem
Não houve

Texto descritivo
enviado em PDF

Texto conceitual
A Impossibilidade do Mar na Mente de Alguém Mudo (2026) constrói-se como uma videoarte interativa. Em uma televisão, imagens digitalizadas de monotipias originais criam a ilusão de ondas marítimas presas em uma sala branca. A troca dos frames, contudo, move-se com a frequência sonora de quem fala ou grita na proximidade. A obra estabelece um jogo simples: gritar ou falar com a obra; mas uma consequência antropocênica: a condição de existência do mar é a voz humana.

O mar só existe em movimento, em sua contínua e circular transformação da superfície em um jogo de quebra em si mesmo — colapso e permanência. O mar é símbolo do submerso, do inconsciente coletivo, do que reflete a imagem humana, daquilo que retorna à areia, mas também o que, incontrolado, nunca foi completamente devorado ou conhecido pelo homem. Nas palavras de Clarice Lispector, o mar é a existência mais incognoscível e ininteligível. Coloco-a, no entanto, em sala branca — humana por natureza — e, ainda, condicionada ao grito e tensionada entre o analógico da monotipia-viva e o tecnológico da televisão-fria.

A obra, assim, abre sistemas simbólicos. É a odisseia interna do sentimento oceânico de um sujeito frente aos fins de mundo contemporâneos e suas escassezes de terra firme. Talvez, seja a imagem clara das limitações paradoxais do aprisionamento marítimo. Isso, pois, o mar é externo e interno, controle e descontrole. Envergado no brumoso dessa onda, resta o convite à relação: gritar no meio da exposição e desaprisionar esse mar desconhecido, descongelando-o de sua negação ontológica; ou então, gritar em público e abusar do controle humano sobre essa existência tão primitiva. Quando o futuro possível é a impossibilidade, o ato heróico contemporâneo é o grito.

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