Anatomia Incerta
Maycon Martines
Técnica
Pintura experimental
Materiais
PVC, parafusos, porcas e roelas
Dimensões
102 x 45 x 26 cm
Ano
2025
Tiragem
1
Texto descritivo
enviado em PDF
Texto conceitual
“Anatomia Incerta” propõe um deslocamento radical do corpo como forma e função. A partir da desconstrução de um manequim — representação normatizada do corpo humano — a obra se articula como um gesto de reconfiguração, onde fragmentos outrora ordenados são remontados de maneira aleatória, desobedecendo lógica anatômica, estética ou utilitária. Entre o corpo e o objeto, emerge uma zona de indeterminação: o que servia para vestir, exibir ou padronizar torna-se ruína e reinvenção.
Feito de plástico — matéria moldável, fria e industrial — o corpo revela sua artificialidade, intensificada por parafusos expostos que conectam membros deslocados. Essa estrutura crua evidencia o distanciamento entre o corpo real e sua representação funcional, tensionando a fronteira entre humano e máquina. Ao revelar a farsa da integridade anatômica e escancarar o artifício de suas montagens, a obra rompe com a ilusão de totalidade e expõe os mecanismos da aparência.
Há também um embate com o consumismo que transforma o corpo em mercadoria. Ao reciclar resíduos do próprio sistema — manequim descartado — a obra devolve um reflexo distorcido do corpo que o mercado insiste em vender: um corpo que não serve, mas persiste.