Desfazer, Refazer, Fazer
Pitchuqué
Técnica
Pintura com terra
Materiais
terra e argila sobre tela
Dimensões
120 x 70 x 5 cm
Ano
2026
Tiragem
1
Texto descritivo
enviado em PDF
Texto conceitual
Desfaz, Refaz, Faz parte da ideia de que nunca fomos um corpo único. Utilizando terra e argila a obra se aproxima das reflexões presentes em A Trama da Vida, de Merlin Sheldrake, ao pensar a vida como uma rede de relações simbióticas, onde organismos coexistem, transformam e sustentam uns aos outros. Assim como os fungos e micélios descritos pelo autor, o corpo humano também existe como ecossistema: um território habitado por múltiplas vidas invisíveis que compõem aquilo que chamamos de “eu”.
A obra também atravessa a inevitabilidade da dissolução. Um dia o corpo se desfaz, retorna à terra e torna-se matéria para novas colônias, novos ciclos e outras formas de existência. Nascimento e morte aparecem não como opostos, mas como movimentos contínuos de transformação: desfazer, refazer e fazer.
A imagem habita um lugar de incerteza entre corpo, fóssil, mancha e vestígio. Não há definição fixa do que é visto, apenas um organismo em estado de mutação contínua. O corpo deixa de ser entendido como unidade e passa a existir como fluxo, trama e matéria em trânsito constante.