A Espera
Isabela Alves
Técnica
Fumage
Materiais
Madeira mdf
Dimensões
90x70
Ano
2026
Tiragem
-
Texto descritivo
enviado em PDF
Texto conceitual
“A Espera” mostra uma fila de figuras humanas presas em um tempo indefinido. Feita sobre madeira com a técnica de fumage, a obra cria corpos e presenças a partir da fuligem, uma matéria frágil e instável que carrega ideias de desaparecimento, ruína e mudança.
A fila funciona como uma metáfora da experiência contemporânea diante do colapso. Não fica claro o que essas pessoas esperam: um acontecimento, uma solução, um retorno ou apenas a continuidade da vida.
A obra transforma a ideia tradicional de espera, normalmente ligada à esperança, em um estado constante de suspensão e incerteza. Os corpos estão juntos, mas ao mesmo tempo isolados em sua própria vulnerabilidade, compartilhando um mesmo cenário instável.
Ao usar a fumaça como linguagem visual, a obra se aproxima de questões como queimadas, poluição, destruição ambiental e os resíduos deixados pelas ações humanas no planeta. A fuligem não apenas forma as figuras, mas também marca e contamina a superfície da madeira, tornando impossível separar a imagem da destruição.
Assim, “A Espera” propõe uma reflexão sobre a permanência humana em meio à ruína: pessoas que continuam existindo mesmo quando os sistemas sociais, ecológicos e afetivos já mostram sinais de colapso.
A fila se torna símbolo de deslocamento e incerteza, de pessoas que aguardam algo que talvez nunca aconteça enquanto vivem em um mundo em transformação irreversível.