PINDORAMA
Aline Mashiro
Técnica
Calcogravura
Materiais
tinta gráfica sobre papel de artesanal de 150 g
Dimensões
A4 expandido
Ano
2026
Tiragem
única
Texto descritivo
enviado em PDF
Texto conceitual
A calcogravura Pindorama constrói uma narrativa visual sobre os conflitos territoriais, ambientais e simbólicos enfrentados pelos povos indígenas e caboclos diante das contínuas violências exercidas sobre as florestas, rios e territórios originários. Inspirada no nome ancestral do território brasileiro antes da colonização, a obra desloca o mapa do Brasil para a ideia de Pindorama como espaço de memória, resistência e sobrevivência.
A composição reúne múltiplos fragmentos imagéticos que atravessam questões de justiça, luta e permanência. O indígena que aponta sua flecha em direção ao mapa marcado pela frase “Área Indígena” simboliza a defesa do território e da vida. Os peixes que percorrem a imagem tornam-se vestígios dos rios ameaçados, enquanto o olho presente na parte superior observa o futuro incerto das paisagens naturais e humanas diante do avanço da destruição ambiental.
As frases “Pare de nos matar” e “A resposta somos nós”, retiradas e ressignificadas de registros de manifestações indígenas, inserem a obra em um campo de denúncia e resistência coletiva. A presença da figura feminina associada à balança e à espada tensiona as noções de justiça institucional diante da violência histórica sofrida pelos povos originários.
As diferentes variações cromáticas da impressão ampliam os sentidos da obra: o preto e vermelho evocam violência e urgência; o sépia aproxima a imagem de um arquivo histórico em desgaste; o verde remete à floresta e à permanência da vida; e o azul constrói relações com a água, os rios e os fluxos naturais ameaçados no contexto contemporâneo do Antropoceno.